Camacho despediu-se. Palha ficou ainda alguns instantes, para dizer-lhe que seria exquisito voltar a Minas, sem que elles liquidassem as contas... Rubião interrompeu-o. Contas? Quem lhe fallava em contas?
—Bem se vê que o senhor não é homem de comercio, redarguiu Christiano.
Não sou, é verdade; mas as contas pagam-se quando se podem. Entre nós, tem sido isto. Ou, quem sabe? Seja franco; precisa de algum dinheiro?
Não, não preciso. Obrigado. Tenho que propor um negocio, mas hade ser mais demoradamente. Vim vel-o para não botar annuncios nos jornaes: «Desappareceu um amigo, por nome Rubião, que tem um cachorro...»
Rubião gostou da facecia. Palha saiu e elle foi accompanhal-o até a esquina da rua marquez de Abrantes. Ao despedir-se prometteu visital-o em Santa Thereza, antes de ir a Minas.
[CAPITULO LX]
Pobre Minas! Rubião voltou para casa, sosinho, a passo lento, pensando no modo de lá não ir agora. E as palavras dos dous andavam-lhe no cerebro, como peixinhos de ouro em globo de vidro, abaixo, acima, rutilantes: «aqui é que se deve esmagar a cabeça da cobra;»—«Sophia é companheira para estas cousas.» Pobre Minas!
No dia seguinte recebeu um jornal que nunca vira antes, a Atalaia. O artigo editorial desancava o ministerio; a conclusão, porém estendia-se a todos os partidos e á nação inteira:—Mergulhemos no Jordão constitucional. Rubião achou-o excellente; tratou de ver onde se imprimia a folha para assignal-a. Era na rua da Ajuda; lá foi, logo que saiu de casa; lá soube que o redactor era o Dr. Camacho. Correu ao escriptorio delle.
Mas, em caminho na mesma rua: