[CAPITULO LXI]
—Que é que tem ahi na mão? inquiriu Camacho, logo que Rubião entrou no escriptorio.
Rubião narrou o incidente da rua da Ajuda. O advogado fez-lhe muitas perguntas sobre a creança, os paes, o numero da casa; mas, o proprio Rubião pôz termo ás respostas.
—Não sabe, ao menos, o nome do pequeno?
—Ouvi chamar Deolindo. Vamos ao que importa. Venho assignar a sua folha; recebi um numero, e quero contribuir para...
Camacho acudiu que não precisava de assignaturas. Em assignaturas, a folha ia bem. O que ella precisava era de material typographico e desenvolvimento no texto; ampliar a materia, pôr-lhe mais noticiario, variedades, traducção de algum romance para o folhetim, movimento do porto, da praça, etc. Tinha annuncios, como viu.
—Sim, senhor.
—Estou com o capital quasi subscripto. Bastam dez pessoas, e já somos oito; eu e mais sete. Faltam dous. Com mais duas pessoas está completo o capital.
—Quanto será? pensou Rubião.
Camacho batia com um canivete na beira da escrevaninha, calado, olhando ás furtadellas para o outro. Rubião passou uma vista á sala, poucos moveis, alguns autos sobre um tamborete ao pé do advogado, estante com livros, Lobão, Pereira e Souza, Dalloz, Ordenações do reino, um retrato na parede, deante da escrevaninha.