—Mamãe!
—Não tenha pena; é só apparecer o noivo. Em apparecendo, vá com elle, e deixe-me ficar. Olha Maria José o que fez commigo? Vive lá pelo Ceará...
—Mas se o marido é juiz de direito, ponderava Sophia.
—Torto que seja! Para mim é a mesma cousa. Cá fica o frangalho da velha. Casa, Maria Benedicta, casa depressa; eu morrerei com Deus... Não terei filhos, mas terei Nossa Senhora, que é mãe de todos. Casa, anda, casa!
Toda essa rabugem era calculo; tinha em mira arredar a filha do matrimonio, excitando-lhe o terror e a piedade. Quando menos, retardar-lh'o. Não creio que revelasse esse peccado ao confessor, nem que chegasse a entendel-o: era obra de um egoismo edoso e melindroso. D . Maria Augusta fora longamente querida; a mãe era douda por ella, o marido amou-a até o ultimo dia com a mesma intensidade. Mortos ambos, todas as suas saudades filiaes e matrimoniaes foram postas na cabeça das duas filhas. Uma fugira-lhe, casando. Ameaçada da solidão, se a outra casasse tambem, D. Maria Augusta fazia tudo o que podia por evitar o desastre.
[CAPITULO LXV]
Curta foi a visita de Rubião. As nove horas levantou-se elle discretamente, esperando qualquer palavra de Sophia, um pedido para que ficasse ainda algum tempo, que esperasse o marido que já vinha, um espanto que fosse: Já! mas nem isso. Sophia estendeu-lhe a mão, em que elle mal pôde tocar. Comtudo, a moça, durante a visita, mostrou-se tão natural, tão sem azedume... Não teve seguramente os olhos longos e loquazes, como d'antes; parecia até que não houvera nada, nem bem nem mal, nem morangos, nem lua. Rubião tremia, não achava palavras; ella achava todas as que queria, e, se era preciso olhar para elle, fazia-o direitamente, tranquillamente...
—Lembranças ao nosso Palha, murmurou elle de chapéo e bengala na mão.
—Obrigada! Foi fazer uma visita; parece que ouço passos; hade ser elle.