Tinha aberto a carteira, tirou seis notas de vinte mil reis, fez um bolo de todas ellas, e deixou-lh'o na mão. Abriu a porta e saiu. A velha, espantada, nem teve alma para agradecer; só ao rodar do tilbury, é que correu á janella, mas já não podia ver o bemfeitor.
[CAPITULO LXXXVI]
Tudo aquillo saiu tão expontaneamente ao Rubião, que elle só teve tempo de reflectir, depois que o tilbury começou a andar. Parece que chegou a levantar a cortina do postigo; a velha ia entrando; viu-lhe ainda o resto do braço. Rubião sentiu toda a vantagem de não estar invalido. Reclinou-se, desabafou o peito com um grande suspiro e olhou para a praia; logo depois inclinou-se. Na vinda, mal pudera vel-a.
—Vossa Senhoria está gostando, disse-lhe o cocheiro contente com o bom freguez que tinha.
—Acho bonito.
—Nunca veiu aqui?
—Creio que vim, ha muitos annos, quando estive no Rio de Janeiro pela primeira vez. Que eu sou de Minas... Pare, moço.
O cocheiro fez parar o cavallo; Rubião desceu, e disse-lhe que fosse andando de vagar.
Em verdade, era curioso. Aquellas grandes braçadas de matto, brotando do lodo, e postas alli ao pé da cara do Rubião, davam-lhe vontade de ir ter com ellas. Tão perto da rua! Rubião nem sentia o sol. Esquecera o doente e a mãe do doente. Assim sim,—dizia elle comsigo,—fosse o mar todo uma cousa daquelle feitio, alastrado de terras e verduras, e valia a pena navegar. Para lá daquillo ficava a praia dos Lazaros e a de S. Christovão. Uma pernada apenas.