—Mas...

Candido Neves não lhe deu tempo de dizer nada; saiu rapido, atravessou a rua, até ao ponto em que pudesse pegar a mulher sem dar alarme. No extremo da rua, quando ella ia a descer a de S. José, Candido Neves approximou-se della. Era a mesma, era a mulata fujona.

—Arminda! bradou, conforme a nomeava o annuncio.

Arminda voltou-se sem cuidar malicia. Foi só quando elle, tendo tirado o pedaço de corda da algibeira, pegou dos braços da escrava, que ella comprehendeu e quiz fugir. Era já impossivel. Candido Neves, com as mãos robustas, atava-lhe os pulsos e dizia que andasse. A escrava quiz gritar, parece que chegou a soltar alguma voz mais alta que de costume, mas entendeu logo que ninguem viria libertal-a, ao contrario. Pediu então que a soltasse pelo amor de Deus.

—Estou gravida, meu senhor! exclamou. Se Vossa Senhoria tem algum filho, peço-lhe por amor delle que me solte; eu serei sua escrava, vou servil-o pelo tempo que quizer. Me solte, meu senhor moço!

—Siga! repetiu Candido Neves.

—Me solte!

—Não quero demoras; siga!

Houve aqui luta, porque a escrava, gemendo, arrastava-se a si e ao filho. Quem passava ou estava á porta de uma loja, comprehendia o que era e naturalmente não acudia. Arminda ia allegando que o senhor era muito mau, e provavelmente a castigaria com açoutes,— cousa que, no estado em que ella estava, seria peior de sentir. Com certeza, elle lhe mandaria dar açoutes.

—Você é que tem culpa. Quem lhe manda fazer filhos e fugir depois? perguntou Candido Neves.