—Entre, Sr. Correia, disse esta; não caia em cima de mim.
—Perdão...
Maria Cora não interrompeu a musica; ao ver-me chegar, disse:
—Desculpe, se lhe não dou a mão, estou aqui servindo de musa a este senhor.
Minutos depois, veiu a mim, e estendeu-me a mão com tanta galhardia, que li nella a resposta, e estive quasi a dar-lhe um agradecimento. Passaram-se alguns minutos, quinze ou vinte. Ao fim desse tempo, ella pretextou um livro, que estava em cima das musicas, e pediu-me para dizer se o conhecia; fomos alli ambos, e ella abriu-m'o; entre as duas folhas estava um papel.
—Na outra noite, quando aqui esteve, deu-me esta carta; não podia dizer-me o que tem dentro?
—Não adivinha?
—Posso errar na adivinhação.
—É isso mesmo.
—Bem, mas eu sou uma senhora casada, e nem por estar separada do meu marido deixo de estar casada. O senhor ama-me, não é? Supponha, pelo melhor, que eu tambem o amo; nem por isso deixo de estar casada.