—Eu, se tivesse um filho, quizera morrer ás mãos delle. O parricidio, estando fóra do commum, faria a tragedia mais tragica.
Tudo foi assim alegre. Cordovil saiu do baile com somno, e foi cochilando no carro, apesar do mal calçado das ruas. Perto de casa, sentiu parar o carro e ouviu rumor de vozes. Era o caso de um defunto, que duas praças de policia estavam levantando do chão.
—Assassinado? perguntou elle ao lacaio, que descêra da almofada para saber o que era.
—Não sei, não, senhor.
—Pergunta o que é.
—Este moço sabe como foi, disse o lacaio, indicando um desconhecido, que falava a outros.
O moço approximou-se da portinhola, antes que o deputado recusasse ouvil-o. Referiu-lhe então em poucas palavras o accidente a que assistira.
—Vinhamos andando, elle adeante, eu atraz. Parece que assobiava uma polka. Indo a atravessar a rua para o lado do Mangue, vi que estacou o passo, a modo que torceu o corpo, não sei bem, e caiu sem sentidos. Um doutor, que chegou logo, descendo de um sobradinho, examinou o homem e disse que «morreu de repente». Foi-se juntando gente, a patrulha levou muito tempo a chegar. Agora pegou delle. Quer ver o defunto?
—Não, obrigado. Já se póde passar?
—Póde.