—A senhora não tem confiança em mim, disse Jorge.

—Ha cousas que se não fazem, outras que se não dizem; algumas ficarão entre mim e Deus, retorquiu ella como se fizesse uma reflexão para si. Depois fitou-o e pediu-lhe a promessa de que não diria nada do que acabava de ver e ouvir.

—Essa promessa não se faz; está feita por si. Quanto ao seu segredo, não quero violental-o, mas tenho esperança de que a senhora mesma o hade dizer um dia; eu saberei obter-lhe esse resto de confiança que ainda me nega.

—Já! exclamou a moça vendo Jorge levantar-se.

—Repare que a noite vem caindo; não posso ficar nem mais um minuto. Um confidente tem limites. Olhe; não peço muita cousa, mas desejo alguma cousa mais. Confidente é pouco; mestre é ainda menos. Dê-me outro titulo ou cargo; deixe-me ser seu... seu que? seu... seu irmão. Sim?

—Não! disse ella energicamente.

Jorge empallideceu, como se acabasse de ver o fundo da alma da moça. A negativa era alguma cousa mais do que um capricho. Não retorquiu; estendeu-lhe a mão.

—Até quando? disse ella.

—Até amanhã.

Tres minutos depois, Jorge estava na rua. A noite descia rapidamente. Elle não olhou para traz; se olhasse viria a figura de Yayá envolta já na meia sombra do crepusculo. Veria mais; vel-a-hia reflectir um pouco e espalmar a mão no ar, como uma ameaça, na direcção em que elle ia.