—Agradeço-lhe, disse Yayá; creia que ella merece todas as consolações.

Na noite desse dia, quando Jorge entrou em casa, um pouco inebriado da entrevista, achou uma carta de Procopio Dias, que o encheu de contentamento. Procopio Dias tinha necessidade de se demorar ainda uns dous mezes. Dous mezes! Era a eternidade. Jorge sentiu-se confortado com a noticia de tão longa ausencia. Que importava a presença, se ella o não amava? Essa reflexão não a fez Jorge, mas a filha de Luiz Garcia, quando elle lhe deu a noticia da carta:

—Que tenho eu que elle esteja ausente ou presente? elle ou um extranho é a mesma cousa.

A eternidade foi um minuto; os dous mezes voaram como um tufão. Um dia, no ultimo desses dous mezes, Yayá disse ao filho de Valeria que achara emfim um marido.

—Um marido? repetiu Jorge empallidecendo.

—Parece que um marido. Não me approva?

—Se ainda o não conheço.

—Não sei se é um marido, continuou Yayá depois de um instante; mas achei o homem a quem amo.

—É a mesma cousa.

—Ou quasi.