Houve entre ambos uma longa pausa, durante a qual Yayá tinha os olhos fitos no moço, emquanto este não tinha os seus em parte nenhuma; vagavam de um ponto a outro. Yayá repetiu que achara um marido.

—É a segunda vez que me diz isso, redarguiu Jorge com a voz tremula e irritada; se o achou, tanto melhor; casará com elle.

—Não me disse uma vez que não me deixasse ir com os primeiros olhos que parecessem responder aos meus? não me disse que era conveniente escolher um homem...

—O que eu disse foram palavras sem sentido, tornou Jorge; não se dão conselhos ao coração que ama. O casamento vem talhado do ceu, segundo diz o povo; outros dirão que vem do acaso; ou é o destino de cada um, ou é uma loteria. A senhora não me pede certamente que lhe diga o numero em que ha de sair a sorte grande? Compre bilhete e deixe correr a roda. Alguns dias de paciencia e nada mais...

A excitação de Jorge era extraordinaria, mas não foi longa. Alguns instantes de silencio bastaram a applacal-a ou diminuil-a; pelo menos o gesto não trahiu a agitação interior. Pallido, sim, estava pallido; mas a voz, se não era firme, perdera a aspereza do primeiro instante.

—Reflecti depois da nossa conversa, disse elle e não desejo tomar nenhuma responsabilidade em um acto de que depende a felicidade de sua vida.

—Então, não me estima, é o que é, disse Yayá em voz queixosa.

Jorge respondeu com um olhar, e a resposta que elle quizera fosse um simples protesto, transgrediu esse limite: foi um protesto, uma queixa e acaso uma interrogação. Yayá abaixou os olhos; uma onda de sangue lhe avermelhou a face; Jorge viu-a offegante e acanhada durante alguns segundos. Não indagou o motivo; ergueu-se para sair. Yayá retevo-o pela aba do fraque.

—Nega-me então todo o auxilio? disse ella. Depois de alguns mezes de uma vida em que me acostumei a ouvir seus conselhos, o senhor recusa-me este. Que lhe fiz eu?

—Nada.