—Não sei! murmurou Yayá. O que a senhora me disse é grave; não ha sentimentos eternos. Parece que depois de tamanha paixão, qualquer outro affecto não terá longa vida.

—Porque não? Não has de querer agora uma paixão, que o leve á guerra; seria um desastre. Mas está nas tuas mãos fazer que elle te ame sempre e muito.

Yayá reflectiu um instante.

—Jure-me que o não ama!

Estella franziu o sobr'olho; depois mostrou-lhe o bilhete que Jorge lhe escrevera pouco antes, e cuja redacção dissiparia á moça qualquer duvida em relação ao noivo. Era uma evasiva para lhe não confessar nem mentir. A primeira vez que lhe negara o amor, foi antes um grito do coração que queria enganar-se a si proprio: agora preferia calar-se. A certeza da isenção de Jorge importava muito mais que a de Estella; a alma de Yayá no primeiro instante, respirou á larga. O respeito que tinha á madrasta, e um pouco de ciume retrospectivo que a mordia, ao pensar naquella paixão tão violenta e tão desenganada, empeciam á moça qualquer outra manifestação. Quando se achou a sós comsigo, levava o espirito arejado da suspeita que o opprimira durante largos mezes; mas o vento que o lavou das sombras, lá lhe queimou algumas das flores desabotoadas ao calor do primeiro sol. A felicidade tinha um travo de desgosto e humilhação; o coração tremia de medo.

Quando mais absorta estava nesse contraste de sensações, viu Raymundo transpor a porta do jardim.

[XVII]

Yayá foi ter com Raymundo.

—Entregaste?

—Não entreguei, disse o preto.