—Guardei uma cousa, respondia elle sorrindo. Yayá não é capaz de adivinhar o que é.
—É uma fructa.
—Não é.
—Um passarinho?
—Não adivinhou.
—Um doce?
—Que doce é?
—Não sei; dá cá o doce.
Raymundo negaceava ainda um pouco; mas afinal entregava a lembrança guardada. Era ás vezes um confeito, outras uma fructa, um insecto exquisito, um molho de flores. Yayá festejava a lembrança do escravo, dando saltos de alegria e de agradecimento. Raymundo olhava para ella, bebendo a felicidade que se lhe entornava dos olhos, como um jôrro de agua pura. Quando o presente era uma fructa ou um doce, a menina trincava-o logo, a olhar e a rir para o preto, a gesticular, e a interromper-se de quando em quando:
—Muito bom! Raymundo é amigo de Yayá... Viva Raymundo!