—Não desejo parecer que me offereço, disse ella; seria desairoso para um e para outro, e não seria a realidade.
—Que te offereces, não; mas quem me pode impedir de ter adivinhado que o amas? disse a viuva maliciosamente.
—Ou que o aprecio, emendou Estella. Para um bom casamento não é preciso mais.
Luiz Garcia não ficou pouco admirado quando Valeria dahi a dias lhe perguntou se não tinha vontade de passar a segundas nupcias. Sorriu e ergueu os hombros; mas, insistindo a viuva, respondeu que a ideia de casar era já serodea para elle.
—Não diga isso, tornou Valeria. Yayá está quasi moça, vai deixar o collegio. O senhor vive só, e tendo de dar companhia a sua filha, é melhor que lhe dê uma madrasta.
Luiz Garcia abanou resolutamente a cabeça.
—Não tenho vocação para o casamento, disse elle depois de uma pausa; minha verdadeira vocação é o celibato.
—Foi por isso que enviuvou?
—Casei-me uma vez, é verdade, mas não foi por amor; além de que, era rapaz.
—Quando teimo em alguma cousa, é difficil que não vença, disse a viuva depois de alguns instantes. Ha duas pessoas de quem gosto muito, ella e o senhor, ambas dignas uma da outra; e eu entendi que as devia casar, e hei-de casal-as. Por que está a sorrir com esse ar incredulo?