Riram-se os outros; Estella beijou-a na testa. Ficando sós, a viuva e Estella jogaram uma partida de cartas, mas jogaram sem attenção; depois tomaram chá, mas sem appetite; finalmente dormiram, mas sem somno. Talvez a mesma ideia as preoccupava. No dia seguinte, Estella perguntou sorrindo á viuva:
—Se eu lhe disser que já achei um projecto de marido?
—Quem?
—O Luiz Garcia.
Valeria apertou-lhe as mãos.
—Excellente homem, disse ella; marido digno e capaz. Conheço-o ha muitos annos; nunca desmereceu da nossa estima. E... amam-se?
—Isso agora é mais complicado, replicou Estella; não posso dizer que o amo; com tudo, desejaria ser sua mulher. Talvez elle não deseje ser meu marido, mas é por isso mesmo que a consulto e lhe peço que me diga, uma vez que approva a escolha, se posso esperar reciprocidade e se devo...
—Não deves fazer nada; imcumbo-me de tudo.
Valeria não occultou o contentamento. Não lhe tinha occorido nunca a ideia de os casar; Yayá fel-a nascer, Estella abriu-a em flôr; só faltava o fructo, e era justamente a parte difficil, porque a indole de Luiz Garcia affigurava-se-lhe inteiramente avessa ao desejo de contrahir segundas nupcias. Mas Valeria não desanimou. Não se pode dizer que elle seja o ideial de todas as noivas, pensava ella; não tem a expansão nem o verdor da primeira edade; mas deve ser um excellente marido. Luiz Garcia tinha agora melhor posição. Obtivera uma promoção de emprego, e mediante isso, e alguns trabalhos extraordinarios que lhe eram confiados, pode ficar inteiramente acoberto das intempéries da vida. Estabelecera o futuro da filha e restaurara as alfaias da casa, não por si, mas com a intenção de ser mais agradavel a Yayá.
Estella, entretanto, impunha uma condição.