Luiz Garcia dera-se pressa em visitar o filho de Valeria. A entrevista desses dous homens, que o curso dos successos collocara em tão delicada situação, foi cordial, mas não expansiva. Jorge não achou Luiz Garcia mais velho; era o mesmo. Não o achou tambem menos reservado que antes. A conversa, em começo não foi além dos factos geraes; falaram da guerra e das victorias. Jorge referiu alguns episodios, que o outro ouviu com interesse; e, como parecesse olvidar seus proprios feitos:

—Vejo que é modesto, observou Luiz Garcia; felizmente lemos as folhas e as partes officiaes.

—Fiz o que pude, respondeu Jorge; era preciso vencer ou ser vencido. Que é feito de tanta gente que ainda não vi? continuou elle para desviar o assumpto.

—Cada qual segue o seu destino. Meu sogro creio que já o visitou...

—Já.

—A proposito, deixe-me agradecer os beneficios que devo a sua mãe...

Jorge quiz interrompel-o com o gesto.

—Perdão; e meu dever, continuou Luiz Garcia gravemente. A Sra. D. Valeria quiz mostrar ainda á ultima hora a sympathia que sempre lhe mereci. Duas vezes o fez, além de outras. Primeiramente, resolveu-me a casar outra vez, cousa que estava longe de meus calculos. Foi ella a primeira autora dessa transformação de minha vida, e em boa hora o foi, porque não me podia fazer maior obsequio. Requintou o obsequio, occultando até a ultima hora a prova de ternura que desde alguns mezes antes dera a minha mulher; tinha-a dotado, como deve saber...

Jorge fez um gesto affirmativo.

—Achou que não era bastante e deixou, a minha filha um legado, que será o seu dote... Gostava muito della. Não podendo agradecel-o á bemfeitora, permitta que o agradeço ao...