—Hade ser lá em casa; a noite é escura e os quintaes são traçoeiros.
[XI]
Entrados em casa, Procopio Dias não se apressou a dar ou pedir a explicação. Ceou primeiro, porque confessou haver adquerido esse costume, e Jorge não se demorou em obsequial-o. A ceia improvisada, composta de viandas frias e dous ou tres calices de vinho puro, deixou-o em paz com a natureza. Satisfeita esta, era a hora da explicação.
Não veiu ella com facilidade. Indolentemente reclinado n'uma ottomana, Procopio Dias fumava com volupia e falava com precaução, usando a voz pausada e avara de um homem para quem o digerir, é meditar. Se alguma ideia lhe avoaçava lá dentro, era difficil percebel-o atravez do olhar exhausto e morbido. Entretanto, a curiosidade de Jorge não lhe permittiu mais longa dilação e Procopio Dias foi compellido a salisfazel-a, quando o moço, parando deante delle, fracamente lh'o pediu.
—Parecia-me mais facil do que é, disse elle, sobretudo porque apezar de nos conhecermos ha algum tempo, não estou certo da opinião que o senhor forma de mim. Boa?
—Boa.
—Dê-me sua mão. Promette-me ser franco?
—Prometto:
—Qual das duas o leva á casa de Luiz Garcia?
Sobresaltado, Jorge retirou vivamente a mão.