—Bem vê, tornou Procopio Dias; é uma dellas.
Passada a primeira impressão, Jorge sentou-se tranquillamente, menos comtudo do que affectava estar.
—Na verdade, a sua pergunta é das mais exquisitas que eu esperava ouvir. Ignora as relações de amizade que me prendem áquella casa, relações que herdei de minha familia, e que eu apenas continuo? Qual das duas! Não ha alli duas; ha uma, uma sómente, uma... e...
—Não é essa? não é Yayá?
Jorge fez um gesto negativo.
—Acredite que me restitue a tranquillidade ao coração, disse Procopio Dias sentando-se de todo. Não é meu rival? não tem nenhuma ideia?... nenhuma ideia vaga?... É isso o que precise saber... é só isso, e é tudo.
—O senhor gosta de Yayá?
Procopio Dias fez primeiro um gesto affirmativo; depois balbuciou a confissão plena de seus sentimentos, mas com um ar de envergonhado, meio sincero e meio fingido, e tão a ponto e natural, que era difficil saber onde acabava a sinceridade e onde começava a simulação. Animou-se a pouco e pouco, e não lhe escondeu nada. Confessou que a filha de Luiz Garcia lhe transtornara de todo o espirito e que elle estava resoluto aos maiores sacrificios para obter-lhe a mão.
—Ás vezes suppunha que o senhor andava nas minhas fronteiras, concluiu elle, ideia que me affligia, porque o senhor tem sobre mim vantagens incontestaveis. A suspeita desvanecia-se e eu tranquillisava-me. Hoje, porém, confesso-lhe que a suspeita reappareceu e entrou a devorar-me o coração; e ainda assim, tinha intervallos, porque ora me parecia que o seu objecto era Yayá, ora que era a outra...
—Perdão, interrompeu Jorge; eu já lhe disse o que devia, e não posso consentir que voltemos ao mesmo ponto. Uma de suas suspeitas é injurias para mim.