—Não estou.
Jorge estendeu-lhe a mão:—Magnifico, disse elle alegre; não é preciso mais. Uma vez que se amam, virão naturalmente a...
Não pode acabar, porque a moça, erguendo-se de subito, affastou-se da mesa, com um arremeço, e dirigiu-se á janella, que dava para o jardim. Jorge ficou espantado. Não entendia o que estava vendo. Inclinou-se sobre o taboleiro e começou a mover as peças, sósinho, sem plano, machinalmente. Assim jogando, ouvia o som do tacão de Yayá que feria o ladrilho do chão, com um movimento precipitado e nervoso. Durou isto cinco minutos. Yayá voltou-se para dentro, saiu da janella e approximou-se da mesa. Jorge ergueu então a cabeça para ella e sorriu.
—Não me dirá que lhe fiz eu, para ficar tão zangada commigo? perguntou com benevolencia.
—Nada; eu é que fui estouvada e não sei se mais alguma cousa.
Jorge protestou que não.—Foi rispida sómente disse elle; e se o foi sem querer, não foi sem motivo. Não me dirá que motivo é esse? Parece-me que não a tratei mal...
—Não.
—Nesse caso, o motivo está na senhora mesma; e se eu não tivesse medo de que se zangasse outra vez commigo, atrevia-me a pedir-lhe que me dissesse tudo—ou pelo menos alguma cousa.
—Para que? Vamos jogar.
—Está escurecendo.