Voltou para casa triste e fatigado. A mãe e Sizof seguiam-no.
—Falas bem, dizia Rybine, mas não chegas ao coração. É o que é! Precisa-se lançar a faísca até ao fundo dos corações. Não será pela razão que os captarás. É calçado muito fino e muito apertado para o povo; não lhe serve nos pés. E ainda que servisse, o sapato ficaria acalcanhado em pouco tempo!
Sizof dizia a Pélagué:
—Chegou o momento de nós, os velhos, irmos a caminho do cemiterio! Levanta-se um povo novo. Como temos vivido? Arrastando-nos de joelhos, constantemente curvados para a terra. E hoje não se sabe ao certo se ha consciencia do que se faz ou se o caminho novo é mais errado do que o nosso... Em todo o caso, os de hoje não se parecem comnosco. Vejam lá: os novos falando ao director como de igual para igual!... Ah! se o meu filho fosse vivo!... Até á vista, Pavel Mikhaílovitch... És um bello rapaz, tomas a defesa do povo... Queira Deus que encontres o bom caminho, a bôa saída... Deus queira!
E foi-se.
—Pois! que todos morram! resmungou Rybine. Já agora, não sois homens, sois uma argamassa, bôa apenas para tapar as fendas das paredes! Reparaste, Pavel, nos que mais gritaram para que tu fosses designado como nosso delegado? Eram os que dizem que tu és um revolucionario, um perturbador. Ora ahi tens! Pensaram que serias expulso da fabrica; era isto o que elles queriam.
—Sob o seu ponto de vista, teem razão.
—Os lobos tambem teem as suas razões quando se despedaçam uns aos outros.
Rybine estava rabugento, a voz tremia-lhe.
—Os homens não teem confiança na palavra nua e crua... É preciso mergulhal-a no sangue...