Falava sem olhar para Pélagué, abaixando a cabeça para arranjar o cabello com os dedos tremulos.
—Não! respondeu Pélagué. Oh! Aquelle não se traírá!
—Tem uma saude de ferro, não é verdade? perguntou ainda em voz baixa e ligeiramente tremelitante.
—Nunca esteve doente. Mas como está tremendo!... Espere; vou tratar do chá; tambem tenho uma compota de framboezas...
—Não será máo! disse Sachenka com um leve sorriso. Mas para que ha-de ter esse trabalho? É tarde; deixe que seja eu quem faça o chá.
—Mas está tão fatigada!... replicou em tom de censura; e pôz-se a accender o samovar.
Sachenka seguiu-a até á cosinha, sentou-se n’um banco e enclavinhando os dedos em cima da cabeça:
—Estou fatigada, estou. Apezar de tudo, a prisão esgota. Que maldita inacção! Não ha coisa mais penosa! Fica-se para ali uma semana, um mez, sem nada que fazer... Ha quem conte comnosco para receber instrucção, sabemos que podemos dar-lha... e vemo-nos metidos n’uma jaula como animaes ferozes!... É de resequir o coração!
—E quem vos recompensará?... suspirou Pélagué. Mas logo accrescentou: Ninguem, se não Deus! Tambem... a sr.a não acredita n’elle, naturalmente...
—Não!