—E eu não acredito em si nem nos outros! exclamou, animando-se de subito.
Alimpando ao avental as mãos sujas de carvão, continuou com convicção profunda:
—Não compreendeis a nossa crença... Como pode alguem dedicar-se a semelhante vida sem acreditar em Deus?
Sob o telheiro ouviram-se passos e o resmungar d’alguem. Pélagué estremeceu; a rapariga poz-se logo de pé e disse baixinho:
—Não abra! Se fôr a policia, diga que não me conhece... que bati a esta porta por engano... que entrei aqui por acaso, que desmaiei e que a sr.a me despiu para pôr-me á vontade, encontrando então em mim os folhetos. Percebe?
—E para que hei de dizer isso? perguntou enternecida.
—Espere!... Parece-me que é o Iégor...
Era elle, a escorrer agua, estafado.
—Ah! o samovar está prompto!... exclamou. É o que ha de melhor n’este mundo, mãesinha! Já cá está, Sachenka?
Enchia a cosinha com os sons gutturaes da sua voz; tirou vagarosamente o casacão e continuou: