—Se eu te affirmo que os atiram cá para dentro por cima do muro!...
O velho Sizof foi o primeiro a approximar-se d’ella, perguntando-lhe em voz baixa:
—Ouviste?
—O quê?
—Os folhetos tornaram a apparecer. As prisões e as buscas não serviram para nada. O meu sobrinho Mazine está preso, o teu filho tambem, e afinal os folhetos continuam a ser distribuidos.
E concluiu, passando a mão pela barba:
—O caso não está nas prisões, mas sim nos pensamentos. E os pensamentos não são coisa que se agarre como quem apanha pulgas. Porque não vens tu á nossa casa? É aborrecido tomar o chá sósinha.
Agradeceu. Apregoando sempre, ia activando o movimento cheio de animação que havia na fabrica. Os operarios pareciam contentes; formavam-se grupos, as vozes eram excitadas; pairava no ar um como sopro d’audacia. Ora d’um canto, ora d’outro, partiam exclamações approvativas, gracejos pesados e até ameaças. A figura avantajada do Goussef apparecia aqui e ali; o irmão seguia-o, rindo. Um mestre marceneiro chamado Vavilof e o apontador Isaías passaram diante de Pélagué sem se apressarem. Este ultimo disse vivamente:
—Olha, Ivan Ivanovitch: riem, andam satisfeitos, embora o caso possa trazer a destruição do imperio, como disse o sr. director. O necessario não é mondar, mas sim semear.
Vavilof, com os braços cruzados nas costas, apertava fortemente os dedos.