...A final, Pélagué obteve a ambicionada licença. No domingo, entrou na secretaria da cadeia e sentou-se modestamente a um canto. Havia mais visitas n’aquella casa acanhada e suja, de tecto baixo. Não era a primeira vez que se encontravam ali: conheciam-se uns aos outros. A conversa ia-se arrastando lentamente, a meia voz.
—Sabe? dizia uma mulherona já de alguma idade, e que tinha uma malêta nos joelhos. Esta manhã, á primeira missa, o mestre-capella da catedral, esteve outra vez quasi a arrancar uma orelha a um menino de côro.
Um homem de meia idade, com o uniforme de soldado reformado, tossiu ruidosamente e replicou:
—Os taes meninos de côro são uns garotos!...
Um homemsinho calvo, de pernas curtas, braços compridos, a maxilla proeminente, passeava d’um lado para o outro, com ares de preocupado. Sem parar dizia:
—A vida está cada vez mais cara; e é por isto que os homens nunca foram tão maos! A carne de vacca de primeira qualidade custa a quatorze kopecks o arratel, o pão dois kopecks e meio...
De quando em quando, entravam prisioneiros, vestidos de cinzento, com grossos sapatos de coiro. Um d’elles trazia uma corrente no pé. Parecia que os visitantes estavam acostumados havia muito áquelle espectaculo. O coração de Pélagué tremia d’impaciencia; olhava perplexa para tudo o que a cercava.
A seu lado estava uma velhinha com as faces enrugadas e com os olhos amortecidos. Prestava attenção á conversa, estendia o pescoço delgado e fugia a olhar para os assistentes, com uma expressão de irascibilidade.
—Quem tem a sr.a aqui? perguntou-lhe Pélagué com doçura.
—O meu filho, que é estudante! E a sr.a?