Passára a ligar mais cuidado ao asseio do seu corpo e do seu fato; movia-se com mais ligeireza e facilidade; tornou-se mais simples na apparencia, mais docil; preoccupava-se de sua mãe. Tratava-a de uma maneira nova; ás vezes, varria o sobrado do quarto, fazia elle mesmo a sua cama, ao domingo; em geral, sem frases, sem ostentação, diligenciava auxiliar a mãe no trabalho caseiro. Ninguem fazia isto lá no bairro...

Um dia, trouxe comsigo um quadro que pendurou na parede e que representava trez personagens tendo impressas nas feições a resolução, a coragem.

—É o Christo ressuscitado dirigindo-se a Emmaús! explicou.

O quadro agradou a Pélagué; ella pensou porem:

—Respeitas o Christo e não vaes á egreja...

Depois vieram mais quadros adornar as paredes, o numero de livros augmentou na prateleira ali collocada por um marceneiro, companheiro de Pavel. O quarto ia tomando um aspecto agradavel.

O rapaz dizia a miudo «a sr.a» quando se dirigia á mãe, a quem tambem chamava «mamã». Era até mais prodigo em palavras, embora breves.

—Mãe, não fique em cuidado, peço-lhe; esta noite venho tarde.

E ao ouvil-o assim, ella sentia que se passava o que quer que fosse forte e serio, que lhe agradava.

Mas a sua anciedade augmentava dia a dia, e como não entrava em explicações com Pavel, adquiria o presentimento de alguma coisa extraordinaria que lhe apertava o coração. Pensava até: