—Levo comida aos operarios, comida e outras coisas! respondeu com audacia.

Deteve-se e explicou melhor, depois de resfolegar:

—Sopa, carne assada, tudo o que Maria costuma cosinhar, e... toda a especie de alimento.

Pavel compreendera. O rosto contraíu-se-lhe n’uma gargalhada abafada. Depois, carinhosamente:

—Minha querida mãe... Muito bem! muito bem! Sinto-me feliz, sabendo que tens tão bom emprego, que não te aborreces. Não é verdade que não te aborreces?

—E sabes? Revistaram-me toda quando os taes folhetos tornaram a apparecer! informou um tanto fanfarrona.

—Outra vez?! exclamou o guarda. Já lhes disse que é proíbido. Priva-se um homem da sua liberdade, para que elle não saiba do que vae lá por fóra, e vens tu, mulher, e começas a tagarelar!... Compreendam que o que é proíbido é proíbido!

—Está bem! não se fala mais n’essas coisas, mamã. O Matvé Ivanovitch é um bom homem: não devemos fazel-o zangar. Damo-nos bem um com o outro. É por acaso que elle assiste hoje ás entrevistas dos presos com os visitantes. Quem costuma assistir é o director. E o Matvé Ivanovitch receia que tu digas coisas... superfluas.

—Acabou o tempo da visita! disse o guarda, tendo consultado o seu relogio.

—Obrigado, mamã! muito obrigado, querida mãesinha! Não te dê cuidado, que dentro em pouco serei posto em liberdade.