A velha murmurava:
—Ó Senhor! quanta gente por este mundo, queixando-se conforme os seus males! Onde estão os felizes?
—Ha-os, sim; e dentro em breve serão em grande numero! ah! muito grande! respondeu elle.
XXI
A vida ia decorrendo rapida, de dias variados. Cada qual trazia novas a Pélagué, que não se perturbava com ellas. Cada vez eram mais os desconhecidos que vinham á noite conversar com André, e que, sempre desconfiados e cautelosos, se retiravam no meio das trevas, com a gola do casaco levantada, a pala do bonet sobre os olhos.
Para Pélagué todos aquelles rostos, novos ou velhos, fundiam-se em um só rosto magro, calmo e decidido, de olhar profundo, carinhoso e severo ao mesmo tempo, como o de Jesus a caminho de Emmaús.
Contava-os e imaginava-os cercando Pavel, como para tornal-o menos visivel aos seus inimigos.
Uma noite, uma rapariga esperta, de cabello encaracolado, chegou da cidade, com um embrulho para André; e, ao saír, disse para Pélagué com um olhar brilhante e cheio d’alegria:
—Até á vista, companheira!
—Até á vista.