—Sentemo-nos! disse Pélagué, servindo o jantar.
Comendo, André referiu-se a Rybine. Quando acabou de contar o que se tinha passado, Pavel murmurou, com muito pezar:
—Se eu cá estivesse, não o teria deixado partir assim. O que leva na sua alma? Um sentimento de revolta e umas idéas embrulhadas...
—Ora! disse André, sorrindo. Quando um homem tem quarenta annos e luctou durante muito tempo contra as dúvidas e as hesitações da sua alma, é difficil transformal-o.
Discutiam, empregando termos que a velha não compreendia, até ao fim do jantar, embora por vezes falassem mais a claro.
—Devemos continuar no nosso caminho, sem nos desviarmos d’elle nem uma linha! exclamou Pavel com firmeza.
—E esbarrarmos no caminho com dezenas de milhões de homens que nos consideram seus inimigos.
Pélagué poude concluir que Pavel não gostava dos camponezes, ao passo que André os defendia, entendendo ser preciso ensinar-lhes o bem. Compreendia melhor André. Sempre que elle dizia qualquer coisa a Pavel, prestava muita attenção, deixando mesmo de respirar, esperando com impaciencia a resposta do filho, para ver se o russo-menor o teria offendido. Mas os dois continuavam discutindo sem se zangarem.
De quando em quando, perguntava:
—É assim, Pavel?