—André! Onde estás tu?
—Aqui. Vou rachar lenha.
—Tens tempo. Anda cá.
—Lá vou.
Não veio logo; e á porta, observou, dando importancia ao caso:
—É preciso dizer a Vessoftchikof que traga lenha, que já ha pouca. Vê como a cadeia fez bem ao Pavel? Em logar de punir os revoltados, o governo engorda-os.
—Ainda não comeste!... Vamos jantar, Pavel! propoz ella.
—Não. O guarda vigilante informou-me hontem de que tinham resolvido pôr-me em liberdade, e logo perdi a vontade de comer. A primeira pessoa que encontrei por cá foi o velho Sizof. Apenas me viu, atravessou a rua para me falar. Aconselhei-o a ser mais prudente, porque eu estou sob a vigilancia da policia. «Que tem isso?» foi a sua resposta. E sabes o que me perguntou acerca do sobrinho? «O Fédor tem-se portado bem na cadeia?» E eu: O que entende por isso de portar-se bem? «Ora!... não dar com a lingua nos dentes a respeito dos companheiros!» Quando lhe disse que elle era um bom rapaz e intelligente, passou a mão pela barba, e disse com altivez: «Nós, os Sizof, não temos patifes na familia!»
—Não tem nada de tolo, esse velho. E o Fédia vem para a rua por estes dias?
—Provavelmente. Creio mesmo em que virão todos. Não ha provas contra nós. Apenas o depoimento do Isaías... Mas o que pode elle saber?