Commovida por aquellas palavras, ella acariciava-lhe os cabellos, e reprimindo as pulsações do coração, disse com doçura:
—Deus seja comtigo! O que me agradeces?
—O teu auxilio na nossa grande obra! Obrigado! É uma honra enorme para o homem poder dizer que sua mãe tambem é sua parenta pelo espirito.
Não respondeu, aspirando, soffrega, as palavras do filho, contemplando-o, como em extasi perante aquelle rosto que lhe parecia tão luminoso.
—Eu calava-me, mamã, porque percebia que certas coisas da minha vida te impressionavam; tinha piedade da tua alma, e nada podia fazer que lhe fosse agradavel. Imaginava que nunca te juntarias a nós, que nunca seguirias as nossas opiniões, que continuarias a supportar tudo, em silencio, como o tinhas feito em toda a tua vida. E isto custava-me muito.
—O André deu-me a compreender tantas coisas!... observou, desejando chamar André ao sentimento do filho.
—Contou-me tudo o que tu fazias! disse, rindo.
—O Iégor tambem. Somos da mesma aldeia. Olha o André quiz ensinar-me a ler.
—E tu tiveste vergonha e pozeste-te a estudar sósinha, ás escondidas.
—Espreitou-me, então! notou, contrafeita. Mas que é d’elle? Foi-se d’aqui, para nos deixar á vontade. Chama-o, que elle... não tem mãe.