—E eu gosto que me promettas presentes!

XXVII

...Os dias decorriam com tal rapidez que não deixavam que Pélagué pensasse no primeiro de maio. Só á noite quando se deitava, fatigada dos trabalhos e preoccupações, é que o seu coração se confrangia, e o seu cerebro a fazia monologar:

—Se ao menos já tivesse passado!...

Todas as noites as folhas impressas convidando os operarios a festejarem o primeiro de maio eram colladas até á porta das estações policiaes; todas as manhãs appareciam tambem na fabrica. Os policias percorriam o bairro logo de manhãsinha e arrancavam das paredes os pequenos cartazes côr de violeta; mas pelo meio dia elles tornavam a apparecer espalhados pelo chão. Da cidade vieram policias da secreta que ás esquinas espiavam os menores movimentos dos operarios que iam e vinham, animados, alegres, pelas ruas.

Era um prazer disfructar a impotencia da policia; até a gente de idade dizia, sorrindo:

—Tem graça isto!

Pavel e André quasi não dormiam. Regressavam a casa, palidos, fatigados, pouco antes do apito da fabrica soltar a sua estridula chamada. Pélagué sabia que elles organisavam reuniões na floresta, no pantano; não ignorava que a policia trabalhava para abafar o movimento, chegando até a prender alguns operarios; compreendia que todas as noites o filho e André se arriscavam a serem presos, e chegava a pensar que talvez isto fosse melhor.

Em volta do assassinio de Isaías tinha-se feito um silencio extraordinario. A policia interrogou a principio umas dez pessoas; depois desinteressou-se do assunto.

Um dia, Maria Korsounova, que vivia em paz com a policia como com toda a gente, dizia: