—E nós levantamo-nos! respondeu Pavel alegremente.

—Já faz sol... e as nuvens vão-se embora. Seriam de mais, hoje!

Ao vêl-o perto de si, a velha supplicou-lhe:

—Meu André, não te afastes d’elle!

—Está dito! Andaremos sempre juntos. Descanse.

—Que estão a dizer? perguntou Pavel.

—Nada. É a mãe que quer que eu me lave mais que de costume, porque as raparigas hoje vão olhar muito para mim!

Pélagué pensava: «Elles agora estão de brincadeira; mas o que acontecerá ao meio dia?»

Á meza, tomando o chá, André contou:

—Quando eu era um garoto de dez annos, tive um dia a ambição de apanhar um raio de sol com o meu copo. Parti o copo, cortei a mão, e levei pancada. Saí depois para o pateo, e como o sol se reflectisse n’uma poça d’agua, saltei n’ella aos pulos. Levei mais pancada porque fiquei coberto de lama. Berrei para o sol: «Isto não faz mal! seu diabo ruivo! isto não faz mal!» E deitei-lhe a lingua de fóra, por vingança.