Elle ergueu-se e entrou de passear pelo quarto.
—Bem! Sabes agora o que faço, aonde vou! Disse-te tudo! Supplico-te, mãe, que se me amas, não me detenhas!
—Meu querido filho! exclamou ella. Teria sido melhor nada me haveres dito!
Pavel pegou-lhe na mão, apertando-a fortemente entre as suas.
Ella ficára impressionada por aquella palavra «mãe» pronunciada com ardor juvenil, e por aquelle aperto de mão tão novo e raro.
—Nada farei para te contrariar, disse em tom saccudido. Recommendo-te apenas: toma cuidado! toma cuidado!
E sem bem saber em que elle devia tomar cuidado, accrescentou tristemente:
—Estás cada vez mais magro.
E envolvendo n’um olhar caricioso o corpo robusto e harmonico do filho, disse em voz baixa:
—Que Deus esteja comtigo! Vive como quizeres, não te impedirei! Só te peço uma coisa: não fales levianamente. É conveniente desconfiar dos mais, que mutuamente se odeiam! Vivem d’avidez, vivem d’inveja! Todos se sentem felizes quando fazem mal. Quando quizeres accusal-os, julgal-os, odiar-te-ão, levar-te-ão á morte!