...Chegaram afinal á grande praça, ao centro da qual se erguia a egreja. No largo havia umas quinhentas pessoas, movendo-se impacientes.
—Mitia! supplicava uma voz feminina. Tem cuidado em ti!
—Deixa-me em paz!
A voz amiga e grave de Sizof dizia, calma e persuasiva:
—Não! não devemos abandonar os rapazes. Teem mais juizo do que nós, e mais audacia. Quem foi que se metteu no caso do kopeck para o pantano? Foram elles. Não nos esqueçamos. Estiveram na cadeia por causa d’isso, mas todos nós aproveitámos da sua coragem!
O rugido do apito da fabrica supplantou o ruido das conversas. A multidão estremeceu; muitos empallideceram.
—Companheiros! gritou Pavel.
A seu lado, a mãe tremia. Decorridos instantes, quando tudo caíra em silencio:
—Irmãos! Chegou a hora de renegarmos d’esta vida cheia d’aridez, de trevas e de odio, esta vida de oppressão em que não ha um logar para nós, em que não somos homens! Companheiros! resolvemos declarar hoje, abertamente, quem somos, desfraldando a nossa bandeira, a bandeira da razão, da verdade, da liberdade!
Um pao de bandeira comprido e branco for levantado ao ar, tremulando n’elle, como uma ave vermelha, a bandeira do povo operario.