Pavel estendeu o braço, gritando:

—Viva o povo operario!

Centenares de vozes lhe responderam em unisono.

—Viva o nosso partido, companheiros! Viva a liberdade do povo russo!

Mazine, Samoílof, os dois Goussef tinham-se postado junto de Pavel; Vessoftchikof ia empurrando quem lhe impedia o caminho até elle. Pélagué, trémula, com os olhos cheios de lagrimas, agarrou-lhe novamente n’uma das mãos, balbuciando:

—Sim!... é a verdade!... meus amigos!

Elle contemplava a bandeira, rugindo palavras vagas, e com a outra mão estendida para o símbolo da liberdade. Depois abraçou-se a Pélagué, rindo.

—Companheiros! começou então André, dominando o sussurro com a sua voz meiga, potente e cantante. Erguemo-nos em honra d’um novo Deus, do Deus da luz e da verdade, da razão e da bondade! Partimos para a cruzada, companheiros, e o caminho será comprido e difficil. O fim está distante, e os espinhos estão proximo. Queremos ao nosso lado os que vejam o fim e creiam no bom exito; os outros não, porque só os esperam o pezar e o soffrimento. Entrae nas fileiras, companheiros! Viva o primeiro de maio, a festa da humanidade livre!

Pavel ergueu a bandeira.

Reneguemos do velho mundo! cantou Fédia Mazine com voz sonora.