Ergue-te, ergue-te, ó povo opprimido!
Ao inimigo, ó gente esfaimada!
Pélagué não podia ver o que se passava no centro; abrindo á força caminho, notou que a multidão tendia a dispersar, de cabeça baixa, sobrolhos franzidos, com as narinas contrafeitas. Ouviam-se já alguns assobios trocistas.
—Companheiros! gritava Pavel. Os soldados são homens como nós. Não nos farão mal. Porque haviam de fazel-o? Porque levamos a liberdade a todos? Mas precisam tambem da nossa verdade. Não compreendem ainda, mas tempo virá, e muito em breve, em que entrarão nas nossas fileiras, em que já não marcharão sob o estandarte dos gatunos e dos assassinos, mas sim á sombra da nossa bandeira da liberdade e do bem! E para que elles compreendam mais depressa a nossa liberdade, caminhemos para a frente! Ávante! companheiros! ávante!
A sua voz era firme, mas o rebanho dispersava.
XXIX
Pélagué distinguiu á entrada da rua um como pequeno muro, cinzento baixo, composto de seres humanos sem fisionomia e que tapavam a saída da praça.
Era este muro que infundia o receio em toda aquella gente.
—Companheiros! continuava Pavel. A vida inteira está na nossa frente! Não temos outro caminho! Cantemos! P’rá frente!
Respondeu-lhe um silencio esmagador. A bandeira ergueu-se, balouçou, e agitando-se por sobre as cabeças, apontou para o muro cinzento dos soldados. Pélagué estremeceu, fechou os olhos e suspirou: apenas quatro pessôas se tinham destacado da multidão e avançavam: Pavel, André, Samoílof e Mazine.
Ouviu-se a voz trémula de Fédia, cantando: