Mediu-o com o olhar d’alto a baixo, viu-lhe aos pés o pao da bandeira partido em dois; a um dos pedaços estava preso um resto da bandeira. Abaixou-se para apanhal-o. O official arrancou-lho das mãos, lançou-o para distante, e ordenou de novo:

—Vae-te, velha!

Do meio dos soldados partiu o estribilho:

Ergue-te, ergue-te, ó povo opprimido!

O official retrocedeu, rapido, e esganiçou-se, ordenando:

—Façam-os calar! Krainof...

Vacilante, Pélagué apanhou outra vez o destroço da bandeira. A dez passos d’ella formára-se novo ajuntamento. Urravam, grunhiam, assobiavam, recuando lentamente, e dispersando para os pateos visinhos.

—Vae para o diabo! berrou um soldado, empurrando Pélagué para cima do passeio.

Para não caír, porque os joelhos vergavam, ella caminhava apoiada ao destroço da bandeira, ouvindo sempre atraz de si os soldados. Até que estes passaram-lhe á frente.

Parou. Á entrada da rua, um cordão de tropa impedia a passagem para a praça, que ficára deserta. Quiz voltar para traz, mas sem saber o que fazia, continuou para a frente; metteu-se por uma ruasinha estreita. Parou de novo. Ao longe, o povo susurrava.