—O meu filho Matwei foi esmagado, na fabrica, bem sabeis. Mas se vivesse, eu proprio o teria mandado entrar nas fileiras d’aquelles... Ter-lhe-ia dito. «Vae com elles, vae, porque defendem uma causa justa, uma causa santa!» É um velho quem lhes está falando. Conhecem-me todos. Ha trinta e nove annos que trabalho aqui... ha cincoenta e sete que vivo n’este mundo. O meu sobrinho, um bello rapaz, intelligente e honrado, foi preso hoje outra vez. Ia tambem á frente de todos com o Vlassof, ao lado da bandeira.

E pegando na mão de Pélagué:

—Esta mulher disse a verdade. Os nossos querem viver com honra, segundo o que manda a razão; e nós... nós abandonamol-os! Vae para casa, minha velha, vae!

—Meus amigos, a vida é para os nossos filhos! é para elles a terra! disse ella passando pela multidão o olhar toldado de lagrimas.

—Vae, Pélagué, vae... Toma o teu arrimo!

E deu-lhe o destroço da bandeira.

Olhavam para a velha com respeitosa tristeza; seguiu-a um murmurio de compaixão. Sem falar, Sizof abria-lhe caminho; e o povo afastava-se sem protesto, obedecendo a uma força inexplicavel, trocando em voz baixa breves palavras de lamento.

Ao chegar á porta de casa, Pélagué voltou-se para elles, e disse com muito reconhecimento:

—Obrigada a todos!

E accrescentou: