—Havemos de falar n’isso mais tarde! declarou, olhando para o relogio. É perigosa a tarefa de que quer encarregar-se... pense bem!

—Meu bom amigo! exclamou ella. Para que serve pensar? Pois se os nossos filhos, a parte mais pura do nosso proprio sangue, parcellas dos nossos proprios corações, os que mais do que tudo nos são queridos, sacrificam vida e liberdade e morrem sem contemplação por si mesmos, o que não hei de eu de fazer, eu, que sou mãe?

Nicolao fez-se pallido.

—Sabe que é a primeira vez que oiço falar d’essa maneira?...

—Que sei eu dizer! murmurou ella, sacudindo desconsoladamente a cabeça. E os braços penderam-lhe n’um gesto de desalento. Se eu encontrasse palavras que exprimissem o que sente o meu coração de mãe!...

E ergueu-se, impellida pelo ardor que n’ella se concentrava e lhe excitava no cerebro frases candentes de revolta.

—...Muitos haviam de chorar... até os malvados, os entes sem consciencia...

Nicolao ergueu-se e tornou a ver as horas.

—Pois então, fica combinado, vem para minha casa, para a cidade!

Ella abanou a cabeça, sem uma palavra.