—Quando ha de ser? continuou Nicolao. O mais depressa possivel. E accrescentou com meiguice:

—Vou ficar em cuidado por sua causa, palavra!

Pélagué ergueu para elle um olhar admirado: que interesse podia ella inspirar áquelle homem? O outro permanecia de cabeça baixa, com um sorriso de constrangimento, myope e um tanto corcovado, no seu modesto fato preto.

—Tem dinheiro em casa? perguntou sem a fitar.

—Não.

Com vivacidade, tirou logo da algibeira uma bolsa, abriu-a e apresentou-lh’a.

—Ahi tem, tire, se faz favor...

A pobre mãe esboçou involuntario sorriso e, com um meneio de cabeça, observou:

—Como tudo está mudado! O proprio dinheiro já não tem valor para vocês. Ha por ahi gente capaz de tudo para o possuir, que chega até a perder a propria alma... e para vocês não passa d’uns bocados de papel... d’umas rodelas de cobre... Chega-se a imaginar que se vocês o têm é só por caridade para com os outros!

—O dinheiro é na verdade desagradavel e incommodo, retorquiu Nicolao Ivanovitch, rindo. É por igual coisa enfadonha pedil-o ou dal-o!...