—É verdade, bonita arvore! repetiu, risonha.
—Olhe uma cotovia!
E os olhos pardos de Sofia brilharam de satisfação. Ás vezes, com movimentos flexuosos, baixava-se, apanhava uma flôr e acariciava-lhe amorosamente as petalas tremulas com o ligeiro contacto dos seus dedos afusados e ageis. E trauteava canções meigas.
Pelo caminho, cruzavam-se com peões ou campónios empoleirados nas suas carroçadas, que lhes diziam:
—A paz seja comvosco!
Brilhava um lindo sol primaveril; todo o vasto azul resplandecia; aos dois lados da estrada, estendiam-se densas florestas de madeiras resinosas, herdades de um verde muito vivo; cantavam passaros, o ar tepido e perfumado acariciava brandamente as faces.
Tudo contribuia para approximar Pélagué d’aquella mulher de alma e de olhos tão limpidos; e involuntariamente, chegava-se mais para ella, esforçando-se por igualar a sua andadura pela d’ella. Comtudo, ás vezes, destacava-se das frases de Sofia uma expressão demasiado viva, demasiado sonora, que a Pélagué se afigurava superflua. Então, era tomada de inquietação:
—Estou vendo que não vae agradar ao Rybine...
Mas um instante depois, Sofia voltava a falar com simplicidade, cordialmente, e ella de novo a olhava com ternura.
—Como é nova ainda! suspirou.