—É inutil mentir; não estamos na cidade; aqui não são precisas mentiras. Aqui só ha gente séria, todos nos conhecemos uns aos outros.

Jéfim, á mesa, onde continuava sentado, examinava com attenção as recemvindas; segredou o que quer que fôsse aos seus commensaes.

Ao approximarem-se as duas, levantou-se, cumprimentou sem dizer uma palavra. Os outros dois deixaram-se ficar, como se não tivessem dado pelas viandantes.

—Vive-se aqui como presidiarios! proseguiu Rybine, batendo familiarmente no hombro da sua conhecida. Ninguem vem vêr-nos, o patrão não está na aldeia, a mulher d’elle lá está no hospital e eu sou agora aqui uma especie de gerente... Sentem-se. Tomam chá? Ó Jéfim, vae buscar o leite!

Vagarosamente, Jéfim encaminhou-se para a choupana, emquanto as duas se desembaraçavam dos alforges. Um dos camponezes, um grande latagão magro, levantára-se para as ajudar. O outro, atarracado e coberto de farrapos, acotovelado sobre a mesa, olhava pensativo para ellas, coçando a cabeça e trauteando baixinho. Aromas suffocantes de alcatrão fresco casavam-se com o cheiro das folhagens apodrecidas, provocando tonturas.

—Este chama-se Jacob, disse Rybine, apresentando o mais alto dos dois operarios; aquelle é o Ignaty... E então o teu filho?

—Está na cadeia! gemeu a mãe.

—Outra vez! exclamou Rybine. Ao que parece deu-se bem por lá...

Ignaty deixára de cantarolar. Jacob tomou o cajado das mãos de Pélagué.

—Senta-te, tiasinha!