Sofia olhou para elle e perguntou seccamente:
—Tinha alguma coisa a communicar-me?
—Eu? Ah, sim! Ahi tem: nós temos cá um homem que chegou ha dias; é primo do Jacob, está doente, está tisico, mas é esperto e percebe muita coisa. Posso mandar chamal-o?
—Porque não? retorquiu Sofia.
Rybine fitou-a franzindo as palpebras e ordenou em voz baixa:
—Jéfim, vae a casa do homem... diz-lhe que venha cá á noite.
Jéfim dirigiu-se á choupana, poz o boné e sem uma palavra, sem mesmo olhar para quem estava, sumiu-se pelo bosque, a passo socegado. Rybine meneou a cabeça e, apontando para elle, disse surdamente:
—Soffre muito!... É teimoso... Dentro em pouco vae ser soldado... E o Jacob tambem... O Jacob diz que não póde, que não vae para o regimento. O Jéfim tambem não póde, mas diz que quer ir, custe o que custar... Teve uma idéa... Lembrou-se que poderá levar aos soldados pruridos de liberdade... Eu cá, a minha opinião é que não se póde arrombar uma parede dando-lhe com a cabeça. E elles, mettem-lhes uma espingarda na mão e abalam por ahi fóra. Para onde vão? Não percebem que marcham contra si mesmos... Anda a soffrer, o Jéfim. E o Ignaty ainda mais lhe revolve o punhal na ferida. Parece-me inutil...
—Qual historia! replicou Ignaty com indignação, sem fitar o seu contendor. Lá no regimento se encarregam de o converter, e ha de acabar por fazer fogo, como os outros!
—Não, não creio! replicou o outro, pensativo. Mas, seja como fôr, mais vale evitar isso... A Russia é grande... Como podem elles descobrir um homem? É preciso arranjar um passaporte e fugir de aldeia em aldeia.