Os tres homens precipitaram-se para a cabana.
—É exaltado, este rapaz! observou Pélagué, baixando a voz e seguindo-os com olhar pensativo.
—É verdade, disse Sofia no mesmo tom. Nunca vi uma cara como aquella... Dir-se-ia um martyr heroico!... Vamos lá tambem; estou curiosa por ver o effeito do jornal.
—Mas não se zangue com elle... supplicou brandamente a outra.
—Que bom coração é o seu, Pélagué!
Ao ver surgir as duas mulheres á porta da choupana, Ignaty levantou a cabeça e lançou-lhes rapido olhar; depois, enterrando os dedos pelos cabellos annelados, curvou-se de novo sobre o jornal, que desdobrára nos joelhos. Rybine, de pé, apresentava o periodico á luz d’uma restea, que penetrava na choupana por uma greta do tecto; ia deslocando pouco a pouco o jornal sob o feixe de luz, á medida que ia lendo e lia por bocca pequena. Jacob, ajoelhado, firmava o peito de encontro á borda d’uma cama e lia tambem.
Pélagué viu que a Sofia não passava despercebido o enthusiasmo dos trez por aquellas palavras de verdade. O rosto illuminou-se-lhe n’um sorriso. Devagarinho, foi para um canto da choça e sentou-se. Sofia, em silencio, passou-lhe o braço pelos hombros.
—Tio Mikhaíl! Olhe que nos insultam, n’este papel, a nós, camponezes! proferiu Jacob a meia voz, sem se mexer. Rybine voltou-se para elle e disse, risonho:
—É porque nos estimam. Aquelles que nos amam podem dizer-nos tudo o que quizerem sem que nos irritemos.
Ignaty respirou ruidosamente, ergueu a cabeça e poz-se a rir; em seguida, fechou os olhos, dizendo: