—Vae ouvir uma testemunha. A minha vontade era poder leval-o a essas cidades, pôl-o em exposição por essas praças, e o povo que fôsse ouvil-o... Diz sempre o mesmo, mas é digno de ser ouvido!...
Silencio e escuridão tornavam-se mais profundos; as vozes ecoavam com mais suavidade. Sofia e Pélagué seguiam com o olhar os camponezes a moverem-se pesadamente, mas de vagar, com singular prudencia.
Do bosque surgiu um homem corcovado, de alta estatura, caminhando apoiado com todo o seu peso a uma bengala. Ouvia-se-lhe o ruido da respiração rouca.
—Ahi vem o Savely! exclamou Jacob.
—Aqui me têm! disse o homem, parando, saccudido por um accesso de tosse.
Vestia um sobretudo usado que lhe cahia até aos pés; de sob o chapeu redondo e muito velho, saíam-lhe em madeixas ténues uns cabellos amarellentos e asperos. Cobria-lhe o rosto ossudo e pallido uma barba loira; a bocca aberta, os olhos com um brilho de febre, nas orbitas profundamente cavadas, como no fundo de sombrias cavernas.
Apresentado a Sofia, perguntou:
—Segundo parece, trouxe livros para o povo lêr?
—Sim, senhor.
—Agradeço-lh’o... pelo povo. O povo não pode ainda compreender o livro da verdade... ainda não póde agradecer-lhe como merece; mas eu que o compreendi já, agradeço-lhe em nome do povo.