—O picado das bexigas?

—Sim, esse!... E vem para aqui!

—Está muito bem! Mas eu é que não estou para me levantar a recebel-o.

O fugitivo entrou n’este comenos. Fechou bem a porta no ferrolho, tirou o boné e poz-se a rir devagarinho.

—Se não te tivesse visto, não me restava mais que voltar para a prisão! Não conheço ninguem na cidade... Se tivesse ido lá para o bairro, prendiam-me logo! Eu dizia com os meus botões, emquanto ia andando: «Palerma! para que fugiste?» Quando n’isto, vejo cá a tiasinha a correr. Puz-me logo no seu encalço!

—E como pudeste fugir? perguntou Pélagué.

O rapaz sentou-se desastradamente na beira do canapé e disse com embaraço, encolhendo os hombros:

—Não sei... Foi a occasião que se offereceu.

Andava a passear no pateo... Os presos de crimes communs atiraram-se á bordoada a um carcereiro, um que foi da policia e que expulsaram por causa d’um roubo... É um que espia dá partes e torna a vida de toda a gente um inferno... Então, houve barafunda; os vigias tiveram medo, uns apitavam, outros corriam... Eis senão quando, vejo a grade aberta. Approximei-me, vejo um largo, a cidade... Foi uma atracção!... E saí sem pressa nenhuma, como se estivesse sonhando... Dei alguns passos e caí em mim. Para onde havia de ir?... Entretanto, as portas da cadeia tinham se tornado a fechar... Não me sentia bem; tinha saudades dos companheiros... emfim, aquillo era estupido; eu não fazia idéa de fugir...

—Hum! resmungou Iégor. Pois, meu caro senhor, devia ter voltado para traz, bater á porta e pedir delicadamente que o deixassem entrar: «Queiram perdoar, foi momento de distracção...»