—Sim, tudo vae pelo melhor...
—Tambem hei de ir vêr o Iégor...
Pelagué estava tão cansada, que sentia a cabeça a andar-lhe á roda; a inquietação de Nicolao dava-lhe a presentir um drama.
—Vae morrer!... Vae morrer! dizia comsigo; e esta sombria idéa martelava-lhe no cerebro.
Mas quando entrou no quartosinho alegre e muito aceiado do hospital e viu o Iégor a rir de manso, sentado em meio d’um montão de almofadas brancas, socegou de pronto. Parou á porta a sorrir-lhe e ouviu o doente dizer ao medico:
—O remedio, é uma reforma!
—Não diga tolices, Iégor! obtemperou o doutor em tom appreensivo.
—E eu, que sou revolucionario, detesto as reformas!...
Certamente, o medico tomou a mão do doente e collocou-lha sobre o joelho; em seguida, levantou-se, poz-se a puxar pelas barbas, emquanto ia apalpando com um dedo os entumecimentos do rosto de Iégor.
Pélagué conhecia bem o doutor por ser um dos melhores camaradas de Nicolao. Approximou-se de Iégor, que, ao vel-o, lhe deitou a lingua de fóra. O medico voltou-se.