—Ah, é vocemecê?... Viva!... Sente-se. Que traz ahi?
—Livros, parece-me.
—Não póde ler declarou, o medico.
—Quer que eu fique parvo de todo! choramigou Iégor.
—Cala-te! ordenou. E poz-se a escrever qualquer coisa na carteira.
Do peito do doente exalavam-se breves suspiros forçados, de mistura com saliva, n’um estertor, violento; tinha o rosto coberto de camarinhas de suor, que elle enxugava de vez em quando, erguendo muito devagar as pesadas mãos, quasi inconscientes. A singular immobilidade das faces inchadissimas descompunha a expressão de bonhomia da sua ampla cara, onde as feições haviam desapparecido sob uma mascara cadaverica; e só os olhos, profundamente cavados entre os inchaços, conservavam um olhar puro e sorriam com condescendencia.
—An?! Esta sciencia!... Já não posso mais... Deito-me, doutor? perguntou elle.
—Não! respondeu com brevidade o medico.
—Então deito-me quando tu te fôres embora!
—Não lh’o consinta, mulhersinha. Arranje-lhe as almofadas. E tome muito cuidado, não o deixe falar, peço-lhe; faz-lhe muito mal.