A chavena de Pélagué entrou a tremer-lhe na mão; pousou-a sobre a meza. Sachenka ficou-se um instante calada, de sobrolho franzido, reprimindo o entusiasmo; depois, muito séria mas com um sorriso radiante, respondeu com alguma hesitação:

—Certo é que se as coisas são realmente como elle diz, devemos tentar... é o nosso dever.

Córou, deixou-se caír n’uma cadeira e nada mais acrescentou.

A mãe de Pavel esboçou um sorriso de muita meiguice, dizendo comsigo: «Querida! Querida da minha alma!» Sofia sorriu tambem; Nicolao soltou uma gargalhadinha, e attentou na rapariga, bondosamente. Então, ella ergueu a fronte, olhou em torno com severidade, e, pallida, com os olhos a faiscar, disse seccamente:

—Riem-se... Percebo porque é. Pensam que sou pessoalmente interessada no resultado da evasão, não é isto?

—Mas porquê, Sachenka? interrogou Sofia hypocritamente.

E, levantando-se d’onde estava, foi pôr-se ao lado d’ella. Pélagué achou a pergunta futil e humilhante para Sachenka e assim lho fez sentir com um olhar.

—Mas, então, não quero tratar de nada! exclamou Sachenka. Não quero tomar parte na discussão, desde o momento que consideram este projecto...

—Cale-se, Sachenka! disse Nicolao sem se exaltar.

A mãe de Pavel foi para a rapariga e afagou-lhe brandamente os cabellos. Sachenka agarrou-lhe logo a mão e voltando para ella o rosto, onde o sangue affluira, fitou-a, confusa. Sofia arrastou uma cadeira, sentou-se ao lado de Sachenka, passou-lhe o braço em volta da cinta e disse-lhe, ao passo que a fitava com curiosidade: