A gente da policia, vigilante, tinha-se alinhado, seguindo com os olhares os movimentes do chefe. Então, um rapaz alto, pallido, com a cabeça descoberta, negras sobrancelhas e comprido cabello negro, foi postar-se junto do coval. No mesmo instante, ouvia-se a voz roufenha do official da policia.
—Meus senhores!...
—Companheiros! começou o rapaz com voz sonora.
—Perdão! gritou o official. Tenho a declarar-lhes que não consinto discursos.
—Limitar-me-ei a dizer algumas palavras, observou socegadamente o orador: «Companheiros! Juremos sobre a sepultura do nosso mestre e amigo nunca esquecermos os seus ensinamentos, juremos trabalhar cada qual toda a nossa vida e sem descanso, para destruir a origem de todos os infortunios da nossa patria, a forca damninha que a opprime, a autocracia!»
—Prendam-no! gritou o official.
Mas logo teve a voz coberta por uma explosão de gritos:
—Morra a autocracia!
Afastando a multidão, ás cotovelladas, os polícias atiraram-se para o orador, a quem o povo formava estreito circulo, emquanto elle bradava:
—Viva a liberdade! É por ella que devemos viver e morrer!