—Veja se trata d’elle. Leve-o para nossa casa.
Aqui tem um lenço... amarre-lhe a cabeça! disse Sofia rapidamente.
E introduzindo entre as mãos de Pélagué a mão do rapaz, deitou a correr, com um ultimo conselho:
—Vão se depressa, se não são presos!
Os manifestantes precipitavam-se por todas as saídas do cemitério; atraz d’elles, os polícias marchavam pesadamente por entre as sepulturas. Embaraçados com as compridas abas das fardetas, praguejavam e brandiam as espadas. O rapaz seguia-os de longe, com a vista.
—Vamos, depressa! disse-lhe Pélagué com brandura. E limpou-lhe o rosto.
O pequeno lançou um escarro de sangue e ciciou:
—Não lhe dê cuidado... não sinto nada. O polícia bateu-me com o punho da espada, na cara e na cabeça... E eu dei-lhe com o meu pau... Sempre apanhou uma sova!... Até uivava!
—Depressa! instava Pélagué, dirigindo-se rapida, para uma pequena aberta do muro do cemitério.
Pareceu-lhe distinguir para além do muro dois policias á espreita, disfarçados com a verdura e que os esperavam, para lhes saltarem em cima á pancada, tão depressa elles apparecessem. Mas depois de ter empurrado a portinha com precaução, espraiou a vista pelo campo, todo envolvido no tecido pardacento d’aquelle crepusculo outonal. O silencio e a quietação que n’elle reinavam tranquillisaram-na de súbito.